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sábado, 18 de novembro de 2017
Perda
De todas as perdas que já tive na vida, a que mais doeu foi a perda do amor próprio, quando me vi rastejando e implorando por um resto de sentimento qualquer que pudesse me dar alguma mínima esperança para continuar vivendo.
Nunca imaginei ouvir da boca que tantas vezes me jurava tanto amor que esse mesmo amor já não existia, que a casa, os sonhos, os planos e a família que tivemos já não existiam.
Eu já sofri muito por amor, mas nunca imaginei que nenhuma dor pudesse doer tanto. Nunca uma desilusão me fez ter medo de amar novamente, mas dessa vez foi diferente. Eu não quero sentir mais nada que me leve outra vez a essa sensação horrível de abandono. Tenho medo de não saber mais amar.
De todas as coisas que você tirou de mim quando se foi, a pior de todas pode ter sido a capacidade de ver beleza e verdade nas pessoas e de acreditar que vale a pena se arriscar por amor. Perder você já e bem difícil, mas perder a minha essência por alguém que não soube me amar é uma dor indescritível.
sábado, 5 de abril de 2014
À espreita
Eu havia me afastado de tudo e de todos.
Estava cada vez mais imerso em minha solidão,
Me perguntava se viver ainda era uma alternativa.
A morte sempre me espreitou, sempre.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Quando a boemia se foi
Eu costumava passar a maior parte do meu tempo me odiando, repudiando a minha existência. Eu realmente não estava bem. Na verdade nunca estive, mas naquela época eu estava pior. Nos tempos de bebedeira e vagabundagem eu costumava encher a cara e esquecer os meus problemas, conseguia sorrir. Era uma época relativamente boa. Eu saia com uns amigos, ia a alguns bares, tomava todas, dava vexame, chorava, vomitava, mas eu fazia alguma coisa.
Qualquer loucura é melhor que o tédio.
Agora era diferente, eu não saia, não via ninguém, quase não tinha amigos, nunca tinha dinheiro pra sair, não conversava com ninguém fora do meu ciclo profissional. Comprava umas cervejas e ia pra casa beber sozinha assistindo televisão. O máximo de interação que tinha era com estranhos pela internet, talvez pessoas com vidas tão desgraçadas como a minha. Noite após noite, eu voltava pra casa no final do dia, passava no supermercado e comprava umas cervejas, me embriagava sozinha vendo séries de TV, depois ia dormir. Acordava tarde, me alimentava mal, e saia pro trabalho, pra quando voltar, repetir tudo.
O trabalho, aliás, era um dos meus maiores tormentos. Eu não gostava daquele lugar, não gostava daquela gente, mas fingia gostar, por que eles não tinham culpa, ninguém tinha culpa. Eu era o problema. Eu não sabia me relacionar, não queria. E o trabalho me obrigava a fazer isso.
Eu me irritava frequentemente, e por pouca coisa. Nunca tive paciência para coisas chatas, e tinha menos saco ainda para as pessoas.
Em sua maioria, as pessoas costumavam ser fúteis, estúpidas ou burras, ou as três coisas ao mesmo tempo. Eu não queria perder meu tempo com esse tipo de gente. Meus amigos estavam longe, então eu preferia ficar em casa e me embriagar sozinha. Se quisesse falar com alguém, eu falava com meus gatos, estes sim, criaturas maravilhosas, autênticos, livres e carinhosos. Enquanto eu tivesse meus gatos, não fazia questão da companhia de ninguém.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
A solução para meus problemas
O relógio marcava 17h43 e minha angústia aumentava. Mesmo sabendo que seria liberada às 18h como de costume, eu estava ansiosa para ir embora. Era um daqueles dias em que eu só conseguia pensar que a solução para os meus problemas seria meter uma bala no meio dos meus olhos e decorar aquela parede branca com inúmeros pedacinhos dos meus miolos. Em dias assim (e esses dias eram frequentes) eu sentia vontade de fazer um monte de coisas, e as faria, se fosse realmente livre. Era nesses dias que eu tinha certeza do quanto a ideia de liberdade que nos vendem é ilusória.
Queria acender um cigarro só para ter a desculpa de dar umas voltas pela calçada e tentar sair um pouco daquele ambiente desagradável, mas não queria punir meus pulmões também, já bastava o mal que aquele ambiente causava à minha alma.
Não conto as vezes que me tranquei no banheiro para chorar. Eu tinha muitos motivos para achar que aquele quadro não mudaria tão cedo e ficava me imaginando ali, dia após dia, no Natal, no Ano Novo, Páscoa, dia dos pais... e esse ciclo se repetindo... Não tinha como não enlouquecer com isso.
Aquele ambiente roubava minha energia vital e meu maior desejo era poder falar algumas verdades para algumas pessoas que faziam parte daquela rotina. Era muita baboseira, muita futilidade, muitos egos duelando, muita gente querendo me atingir com essas merdas. Eu só conseguia sentir nojo da pequenez espiritual daquela gente.
Eles eram os religiosos, os politicamente corretos, os respeitados cidadãos de bem. Conseguiam reunir em um só pacote toda a hipocrisia social que existe no mundo, todas as coisas e atitudes ridículas de moralistas conservadores que eu sempre abominei.
Era uma gente que só pensava em status, visibilidade e dinheiro. Gente que tratava as outras pessoas (as mais pobres, ou as que pensavam diferente) como se fossem coisas, e algumas pessoas (as mais ricas, ou as mais influentes) como deuses, talvez em busca de algum benefício, afinal, amizade gratuita estava em extinção entre aquela gente.
Eu realmente queria explodir meus miolos.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
O mais ridículo dos animais
O homem é o mais ridículo dos animais e ainda assim se acha superior. Patético!
Procure, entre todos os animais, quais deles têm hora para acordar, obrigação de fazer coisas que só de pensar já dão um nó no estômago ou um monte de compromissos enfadonhos para ir todos os dias?
Vi minha vida passar enquanto eu rabiscava papéis em uma sala fria.
Sempre odiei o sistema, mas tive que aprender muito cedo que não havia como fugir dele. Que inferno! Era isso a vida humana? Uma prisão a céu aberto, onde cada um apenas cumpre uma série de obrigações?
O homem passa mais tempo se dedicando a obrigações desgastantes do que fazendo aquilo que realmente lhe faz bem.
Eu sempre gostei de literatura, poesia, música, cinema e artes em geral. Porém nunca tive o prazer de poder me dedicar a nenhuma dessas atividades com prioridade. As prioridades eram sempre as coisas mais irritantes, o trabalho, as pessoas que eu não queria ver, o dinheiro. E não falo isto como uma pessoa capitalista que se arrependeu da vida mesquinha que teve. Falo isso como ser humano preso a uma rede de obrigações enfadonhas.
A regra é essa, independente de seus ideais, você tem que se ajustar ao sistema, ou sucumbir a uma vida de miséria.
E veja que contraditório, para fugir da miséria financeira, abraçamos a miséria espiritual.
terça-feira, 25 de março de 2014
Meu amor é conformista
Desisti de tentar fazer com que as pessoas entendam o que sinto. Ora, às vezes nem eu mesma me entendo. Vou calar e resguardar tudo que sinto. Vou calar e preservar o meu amor. Me preservar.
Você pode dizer que não te amei, e que não amo, que o que eu sinto não é amor. Eu desisti de tentar fazer com que você me entenda. Não me entenda. Desisti de tentar reatar qualquer coisa entre nós. Eu não posso fazer você me querer.
E se eu te amo ou não, se amei ou deixei de amar, é problema meu. São coisas que eu vou guardar pra mim. Eu não preciso provar mais nada pra você, então, se você não acredita mais em mim, eu não vou insistir.
Meu amor é conformista e mais complicado que a simples necessidade de estar junto.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Não espere o silêncio
Você verá que meu silêncio pode ferir ainda mais que qualquer coisa que eu disser ou qualquer besteira que eu faça. Enquanto eu ainda reclamar, enquanto eu ainda me importar talvez ainda haja esperança, mas depois que eu me calar, pode ter certeza que jamais será como antes. Com outras pessoas me calei outras vezes e pude ver que não sei voltar atrás. Não espere demais para corrigir seus erros. Não espere o meu silêncio pra perceber que faço falta, porque aí será tarde demais.
domingo, 23 de março de 2014
O egoísmo da solidão
Às vezes me olho no espelho e me pergunto quando foi que envelheci desse tanto, quando me tornei tão seca e amarga. Como consegui chegar a isso. As pessoas veem em mim um monstro que eu não enxergo.
Aqui de dentro todas as minhas atitudes fazem sentido, e foi tudo por um bom motivo.
A solidão me deixou mais egoísta. Mas eu tento não ligar para o que as pessoas pensam, e quero a cada dia me importar menos ainda. Em toda a minha vida, nos verdadeiros momentos de paz e felicidade, na maioria deles, eu estava sozinha.
sábado, 22 de março de 2014
Eu voltei... Agora pra ficar?
Sinto que deveria escrever com mais frequência, mas ultimamente tem sido muito difícil. Pode parecer desculpa (talvez seja mesmo), mas nos últimos meses minha falta de concentração tem ficado cada vez mais acentuada. Começo textos que não termino, penso em coisas que não escrevo. Só às vezes (raramente) consigo sentar e ter a determinação de me forçar a terminar alguma coisa... seja lá no que isso vá resultar.
E eu sei, eu sei que tenho capacidade de fazer melhor do que faço, mas simplesmente não me interesso. Desse modo, acabo deixando tudo inacabado, incompleto, insuficiente, imperfeito. Como se o mínimo bastasse. Talvez eu tenha mesmo me tornado uma pessoa conformista. Talvez por achar que ninguém vai se dar ao trabalho de ler ou se importar com as coisas que penso.
De todo modo, apesar da falta de esperança, estou de volta. Não dá mais para ficar calada diante de tantas coisas que vejo e que me incomodam, me inquietam. Hoje parei para rever meus textos inacabados, para organizar minhas ideias e terminá-los. Espero que daqui pra frente eu possa me concentrar mais nisso, já que é uma coisa que gosto, que me faz bem. Em breve estarei postando novidades por aqui, se alguém se interessar, aguarde.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Nem escritor, nem alcóolatra
Eu nasci pobre, feio e desengonçado. Precisei me esforçar
muito para ser notado. Ser notado não
como especial ou indispensável, mas ser notado, para que alguém (até mesmo eu)
pudesse saber que eu existo. Sem sex
appeal, sem estilo, sem jeito para a dança ou o teatro, foi na bebida e na
poesia que encontrei minha válvula de escape. Não que fizesse isso bem, mas era
o que fazia de melhor. E bebia melhor do que escrevia.
Na infância foi tudo uma grande merda. Eu não tinha noção de
muita coisa e acreditava que pudesse ser aceite se agisse como eu mesmo. Mas aí
começaram os risos e as zoações. Aqueles putos! Nunca estariam a altura de
entender o universo que em mim havia, mesmo aos 8 anos de idade. Foi então que
me fechei e passei a detestar 90% das coisas que me rodeavam. Os outros 10% eu
só vim odiar depois que cresci.
Tentei seguir alguma religião, mas era curioso demais para
isso. Tentei entrar para algum grupo de teatro, mas não tinha talento. Pensei
em música, ou dança, mas não era a minha praia, eu sempre fui destro e sempre
tive dois braços esquerdos. Houve uma época que eu gostava muito de desenhar,
desenhava frequentemente, e até gostava, mas tempos depois achava tudo uma
porcaria, ia lá e destruía tudo, rasgava, jogava no lixo, depois ficava com um
vazio.
Sempre fui o maior crítico de mim. As pessoas sempre me
cobraram tanto que acabei me acostumando a achar que nada que eu fazia estava
bom. Até hoje é assim.
Apenas duas coisas me anestesiavam desse mundo: a escrita e
a leitura. E posteriormente, eu iria descobrir o álcool. Sempre que eu lia uma
história triste me identificava, ou sempre que lia uma história feliz, me
imaginava no lugar do protagonista. Não demorou muito para que eu mesmo
começasse a escrever minhas histórias. Porém, a realização só viria mesmo com a
bebida.
Desde o primeiro porre eu soube que ali estava o sentido da
vida. Ficar de porre e aí sim, escrever com a minha alma, expurgar cada
sentimento reprimido, e extrair de mim até a última gota de melancolia.
Hoje, apesar de tudo, não me considero alcoólatra, nem
escritor. Mas estou quase lá.
domingo, 29 de janeiro de 2012
“Só os virtuosos possuem amigos”
Apesar de não fazer o estilo
do blog, achei que esse trecho escrito por Voltaire (em seu livro dicionário
filosófico) merecia ser compartilhado com vocês. Talvez alguns até já tenham
lido e conheçam a obra do autor bem melhor que eu, mas em todo caso, fica aí um
belo escrito e, para os que não conhecem, uma dica de um ótimo autor.
Contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e
virtuosas. Sensíveis porque um monge, um solitário, pode não ser ruim e viver
sem conhecer a amizade. Virtuosas porque os maus não adjungem mais que cúmplices.
Os voluptuosos careiam companheiros de devassidão. Os interesseiros reúnem
sócios. Os políticos congregam partidários. O comum dos homens ociosos mantêm relações. Os príncipes
têm cortesões.
Só os virtuosos possuem amigos."
François-Marie Arouet - Voltaire (1694-1778)
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