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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Reencontro

Como tantas outras vezes, Vi você chegar, abrir a porta e caminhar em direção a mim com seus olhos cativantes, seu jeito meigo de ocupar os espaços...

E como tantas outras vezes, falou comigo, alisou nosso gato, me olhou nos olhos.

Mas tudo estava diferente: a porta já não era a da nossa casa, seus passos já não seguiam a mesma direção que os meus, seus olhos já não me procuravam, sua boca já não queria meus beijos, seus braços já não me guardavam nenhum abraço, suas mãos já não me reservavam nenhum carinho... E quando você me olhou nos olhos, não foi com amor, foi com pena. Isso sempre me machuca.

A nossa conversa já não tem alegria, nossos encontros têm um ar fúnebre, e me sinto mesmo morrer ao sentir que minha presença já não faz diferença pra você.

Em meio a tantos sentimentos, decido me calar, pois sei que não há mais nada que eu possa fazer, você já deixou claro que não precisa mais de mim, e se eu não posso ter o seu amor, poupe-me da sua piedade. O silêncio toma conta do ambiente, e somente minhas lágrimas, teimosas, falam por mim. Tento esconder o estado deplorável em que me encontro para que você não se sinta culpada, o gato se distrai com alguma coisa e vai até a janela, nós olhamos pra ele, nos olhamos, você se despede.

Como tantas outras vezes, vejo você sair e fechar a porta, só que dessa vez pra não voltar nunca mais.

Vida nova

Acordar e levantar do sofá (porque a cama está cheia de coisas que ainda não arrumei após a mudança) tentando desviar das garrafas de cerveja, cartelas de comprimidos, pontas de cigarro e desilusões espalhadas por todos os cantos desse apartamento triste. Parece o cenário de uma ressaca pós noite de farra, mas é só mais um dia comum em minha vida, é só o retrato do que me tornei sem você, o retrato do que a sua ausência me tornou. E como todos os dias, faço aquele esforço hercúleo para tomar banho, vestir-me e sair às ruas para enfrentar mais um dia de batalha contra o mundo, onde tento aparentar estar bem, seguindo minha vida e superando a dor de não ter mais um lar, uma família, uma casa iluminada pela sua presença. A ninguém devo confessar o que sinto, as pessoas não gostam de tristeza. Assim, passo meus dias entre cigarros, cafés e choros escondidos nos banheiros dos lugares que frequento. À noite, quando sozinha naquele apartamento pequeno e desorganizado que jamais me pareceu digno de ser chamado de lar, nesse momento calmo e silencioso que eu costumava admirar, posso enfim externar toda dor que há em mim, longe dos olhos e dos julgamentos de pessoas que se dizem preocupadas com meu bem-estar, mas que só abrem a boca para me criticar e cagar regras sobre como devo viver. E assim, noite após noite, eu vou tentando matar você dentro de mim, afogando sua lembrança entre o álcool e as lágrimas, me odiando por ainda te amar tanto mesmo depois de todo o mal que me causou.

Minha missão agora não é mais esquecer, superar ou algo do tipo. Minha missão é aceitar que minha vida será essa e aprender a conviver com isso enquanto não crio coragem de por um fim nisso tudo.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Diário de sobrevivência


Primeiro pensei que ia morrer, depois quis sair no meio da rua, no pingo da méi dia e te implorar que voltasse, mesmo eu sabendo que a culpa pelo nosso fim era mais sua que minha. Quis implorar para que você ficasse mesmo eu tendo te mandado embora. Pois mesmo eu tendo te mandado ir, essa escolha não foi minha. Estava em suas mãos e você jogou fora, como se não fosse nada. Você me jogou fora como se eu não fosse nada. Vai ver, pra você, eu não era nada mesmo.

Passado um tempo, veio a mágoa e eu quis odiar você, mas só conseguia odiar a mim mesma por ainda te amar tanto, mesmo com tudo que você me fez, mesmo você me mostrando a cada dia o quanto eu fui descartável em sua vida.

Aí veio aquela fase de ligar o “foda-se” e fingir que eu não me importava mais. Arrumei distrações passageiras e parei de pensar tanto nas feridas que você me abriu e que deixou aqui infeccionadas, sangrando. Mas as distrações passaram e as feridas começaram a doer de forma ainda mais intensa, consumindo meu organismo, espalhando-se pelos órgãos, apodrecendo cada milímetro do meu ser.

Após a negação tive que lidar com a realidade em busca de aceitação. Mas como aceitar que aquele alguém que jurava me amar, que costumava ser a minha vida, que prometeu não me deixar, que imaginava envelhecer junto comigo, como aceitar que esse mesmo alguém simplesmente me trocou pela primeira ilusão que viu diante de si e foi embora sem se importar com as sequelas que isso me traria?

Ainda lembro da serenidade em seu olhar enquanto a gente discutia sobre o nosso fim, ainda lembro de como você parecia estar de boa com aquela situação, ainda lembro de mim aos prantos em nossa cama, agarrada aos nossos lençóis, enquanto você arrumava tranquilamente as suas coisas na mala. Ainda lembro da sua expressão sem lágrimas ao cruzar a porta e sair da minha vida. Às vezes, quando penso nisso tudo, ainda dói, mas aprendi a separar as coisas. A cada dia percebo a diferença entre a pessoa que eu amei e a pessoa que você é.

Houve outras fases, quis brigar, quis xingar, quis contar pra todo mundo o quanto você foi cruel e egoísta, novamente quis morrer...

O fato é que desde que você se foi cada dia tem sido uma batalha em busca de sobrevivência, um esforço sobre-humano tentando descobrir o que eu fiz de tão errado, uma briga interna tentando não enlouquecer e não ceder a desejos autodestrutivos. Mas aí eu lembro o quanto eu fui descartável pra você, lembro das coisas que ando ouvindo a seu respeito, do modo como você tem agido... e tento me acalmar e ouvir a voz da razão.

Sinto como se eu tivesse sido apenas uma aventura, um momento de rebeldia em sua vida, uma brincadeira que você enjoou de brincar, e penso como alguém pode ser tão fria, tão cruel, tão dissimulada!

As feridas que você me abriu continuam a me atormentar, a doer, dia após dia, me lembrando o quanto foi fácil pra você seguir em frente e me deixar aqui com as sobras da vida que costumávamos ter. Tenho passado por muita coisa, tenho vivido muitas fases, mas não houve um só dia em que eu não pensasse em você e isso costumava me desesperar. Agora não mais. Acostumei-me com essa sua presença latente e aceitei que vou me lembrar de você todos os dias...

até que um dia eu não lembre mais.

Tempo


Se houvesse alguma chance
eu voltaria no tempo,
voltaria pra você,
pra aquela época
quando você jurava me amar pra sempre,
pra aquele tempo
antes de todas as nossas promessas
serem quebradas.
Mas não posso voltar ao passado,
não posso reviver as alegrias,
não posso consertar tudo que deu errado,
nem se eu voltasse no tempo,
pois me sinto impotente nessa situação toda
e ainda não consigo enxergar
de que modo eu poderia ter evitado o nosso fim,
já que tudo que eu fiz nesses anos todos
foi te amar da maneira mais intensa e incondicional,
um amor que ainda habita em mim,
mas que perdeu a razão de ser,
já que você não o quer mais.
Ah! Como eu gostaria de poder voltar no tempo,
ao tempo em que te conheci,
ao tempo em que eu te conhecia...
Hoje você se tornou tão estranha quanto qualquer uma
passando pela calçada do shopping em frente à praça do Pax,
só mais um rosto na multidão,
alguém que passa, esbarra e nem pede desculpas.
É difícil aceitar que já não sei quem você é,
é difícil acreditar que você mudou tanto
a ponto de não se importar mais com a nossa vida,
nossa casa, nosso gato, nossos amigos.
Mas não posso fazer você voltar,
nem quero mais que você volte,
pois ainda estou apegada a pessoa que você costumava ser
e não a esse ser frio, egoísta e insensível
que você tem se tornado.
Então, todos os dias quando bate a saudade
eu enxugo as lágrimas
e penso que apesar de você ter jogado tudo fora
eu ainda tenho a minha vida,
minha casa, meu gato e meus amigos.
A vida continua e eu preciso seguir em frente,
deixando o passado no passado.
E não vou gastar meus dias esperando que você mude,
não vou ficar te esperando.
Mas se algo daquele amor foi real,
se ainda restar alguma coisa boa de tudo que vivemos,
quem sabe no futuro, em outro momento de nossas vidas,
a gente possa se conhecer novamente...

sábado, 18 de novembro de 2017

Perda



​De todas as perdas que já tive na vida, a que mais doeu foi a perda do amor próprio, quando me vi rastejando e implorando por um resto de sentimento qualquer que pudesse me dar alguma mínima esperança para continuar vivendo.

Nunca imaginei ouvir da boca que tantas vezes me jurava tanto amor que esse mesmo amor já não existia, que a casa, os sonhos, os planos e a família que tivemos já não existiam.

Eu já sofri muito por amor, mas nunca imaginei que nenhuma dor pudesse doer tanto. Nunca uma desilusão me fez ter medo de amar novamente, mas dessa vez foi diferente. Eu não quero sentir mais nada que me leve outra vez a essa sensação horrível de abandono. Tenho medo de não saber mais amar.

De todas as coisas que você tirou de mim quando se foi, a pior de todas pode ter sido a capacidade de ver beleza e verdade nas pessoas e de acreditar que vale a pena se arriscar por amor. Perder você já e bem difícil, mas perder a minha essência por alguém que não soube me amar é uma dor indescritível.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Desconhecido




















Quem é você que me chama pelo nome?
Que me chama pelo sangue,
Mas nunca me viu dormir?
Onde esteve quando eu te quis?
Em todos os lugares,
menos aqui.

Quem é você que me encara?
Que me atira palavras?
Quem é você pra falar de mágoas?

Onde esteve quando eu te chamei?
Longe demais
para me ouvir.

Quem é você que eu não conheço?
Que não sabe quem sou?
Quem é você que eu não mereço?

Onde esteve quando eu te amei?
Ocupado demais
pra se importar.

Quem é você, se eu nem sei seu gosto?
Nem reconheço seu rosto?
Quem é você pra me julgar?

Onde esteve enquanto eu chorei?
Indiferente demais
pra reparar.

Quem é você pra querer falar de indelicadezas?
A vida inteira eu desfrutei das migalhas da sua frieza
Quem é você pra me cobrar?

Onde esteve quando eu cresci?
Onde esteve quando eu mudei?
Onde estava você quando eu te esqueci?
Por que não veio enquanto eu te amei?

Quem é você pra falar de saudade?
Esteve sempre em suas mãos,
Não faltou oportunidade.

Onde você esteve que eu nunca te vi?
Cadê os abraços que eu nunca senti?
Cadê seu carinho? Cadê seu amor?

Quem é você pra falar do que sou?
Não foi você que o meu sono velou.
Não foi você, você nunca ligou.

Quem é você pra me olhar assim?
Me diga, tente explicar,
Quem é você,  enfim?
E por que quis estar
em qualquer outro lugar
a não ser perto de mim?

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Desabafo sobre depressão e ansiedade: precisamos falar sobre essas coisas



Pouca gente sabe, mas o ano de 2016 foi bem difícil para mim, e não apenas pelas tragédias coletivas. Na verdade, meu problema não é algo de agora. Durante toda a minha vida tive que lidar com a depressão e a ansiedade. Durante muito tempo eu me odiei por causa disso. Não gosto muito de expor meus problemas pessoais para muita gente, mas levando em consideração que foi um texto assim que me ajudou no ano passado, resolvi falar sobre este assunto na esperança de poder também ajudar outras pessoas, nem que seja no sentido de explicar melhor a depressão e ansiedade, não por uma ótica profissional, clínica ou de senso comum, mas na perspectiva de quem vive esses problemas.


Vamos lá

Primeiramente, quero falar do meu processo de aceitação. Eu sempre tive vergonha de dizer que tinha essas doenças (sim, depressão e ansiedade são doenças) por acreditar no falso consenso de que você só é depressivo porque você quer, pois se você disser pra si mesmo que não tem problema nenhum, o problema simplesmente deixa de existir. Mas não é bem assim que as coisas são. No ano passado eu li muito sobre esse assunto e tive acesso a relatos de pessoas que passavam pelas mesmas coisas que eu. Sempre soube que não era a única pessoa no mundo a sofrer com depressão, mas ao ver como os sintomas e os problemas que as outras pessoas enfrentavam eram parecidos com os meus, pude perceber que meu caso não era tão único. Ao ver depoimentos de pessoas que aprenderam a lidar com isso tive a esperança de que o mesmo pudesse acontecer comigo. Talvez se eu buscasse mais informações sobre o problema e partilhasse de mais experiências de outras pessoas, eu aprendesse e compreendesse melhor o que acontecia comigo. Não estou aqui para dar uma fórmula mágica de como superar a depressão, isso não existe. Mas para mim, aceitar que eu tinha um problema foi um passo muito importante. Compreender esse problema foi mais importante ainda.

O que mais me ajudou foi ver que várias pessoas que lidam com isso experimentam os fracassos, passam por inúmeras tentativas frustradas, desistiram por um tempo, todas essas coisas são comuns. O desafio é tentar ser persistente na busca por alternativas, mesmo quando sua mente e o seu corpo dizem não. Já tentei um monte de coisas que deram certo por um tempo, mas que depois se tornaram inúteis, e tudo bem, muita gente passa por isso. Já passei longos períodos sem nenhum sintoma da doença por perto e, de repente, ela volta do nada ou quando estou passando por alguma situação delicada. E tudo bem. São fases. Faz parte. Não sei quantas outras pessoas em todo o mundo estão passando por essas mesmas coisas. Às vezes nos sentimos mais dispostos e vamos procurar algum tipo de ajuda, outras vezes acreditamos que nada poderá nos ajudar. Mas a coisa mais importante que é preciso saber nesses momentos é que eu não sou a única, que o problema não sou eu, que isso não é coisa só minha, nem é algo que eu possa controlar. 

Em segundo lugar, é importante falar sobre o tratamento com o auxílio de medicamentos. Há um preconceito muito grande em torno dessa questão. Eu mesma me vi várias vezes reproduzindo o discurso de que não queria ficar dependente de remédios. Se você tem uma doença e se nega a tomar algum medicamento que possa ajudar no tratamento é mais difícil conseguir algum progresso. A depressão e a ansiedade, diferente do que ouvimos muitas vezes, não são frescuras, não são falta do que fazer, não são falta de uma louça pra lavar ou de um terreno pra capinar. São doenças, e doenças sérias. Não devemos menosprezar a gravidade desses problemas. Ninguém condenaria a atitude de uma pessoa que sofra de uma doença crônica como a diabetes e tome remédios todos os dias para controlá-la, ninguém vai chegar pra essa pessoa e dizer que ela é viciada. Então, tomar remédios não é sinônimo de fraqueza.


Tratamento com ajuda de medicamentos

Outra coisa a entender é que os remédios funcionam de maneira diferente para cada pessoa. Mesmo que meu problema seja muito similar ao seu, o remédio que funciona pra mim não necessariamente servirá pra você. Por isso é importante não desistir na primeira tentativa fracassada. Infelizmente, é preciso experimentar diferentes drogas até encontrar uma que funcione, que tenha menos efeitos colaterais, essas coisas. 

O período do tratamento também varia. E se esse período precisar ser mais longo para algumas pessoas é normal, pois cada organismo reage de um jeito. Eu, por exemplo, costumo tomar remédios por um determinado período de tempo até me sentir melhor e ir gradativamente suspendendo o uso. Aí alguns tempos depois os sintomas voltam e preciso retomar o tratamento. Para outras pessoas, pode ser necessário o uso ininterrupto. É sempre bom ter um acompanhamento médico para essas coisas. Eu só entendo da minha própria experiência, e pra mim, o mais importante quanto a isso é não me sentir culpada por precisar tomar esses remédios e tentar ver esse tipo de tratamento como qualquer outro.


A relação com as outras pessoas

Dito isto, gostaria de falar sobre o que mais dificultou minha forma de lidar com essas questões durante toda a minha vida: as outras pessoas. Estou escrevendo esse texto pensando em poder compartilhar minha experiência com pessoas que passam pelo mesmo que eu, mas também como uma forma de alcançar as outras pessoas. Muita gente acha que sabe tudo sobre depressão, que é uma questão de força de vontade e que só depende de você virar o jogo. Como se não bastasse todos os problemas que a depressão coloca na sua vida, você ainda tem que lidar todos os dias com pessoas que ficam te dizendo o que fazer, que acham que estão te ajudando, mas na verdade só pioram tudo. São incontáveis críticas, incontáveis conselhos infalíveis e incontáveis certezas sobre coisas que essas pessoas não têm nenhuma noção do que são. 

É muito difícil ter que ouvir que sua doença é invenção, que se você passa o dia inteiro na cama e não tem ânimo nem para se alimentar é por preguiça, é porque você escolheu ser assim. É muito difícil ter que ouvir alguém dizendo “saia dessa cama, vá viver, vá fazer uma caminhada”, como se fosse só uma questão de levantar e agir. Nunca passa pela cabeça dessas pessoas como pode ser difícil em alguns momentos a simples tarefa de acordar, sair da cama e tomar um banho ou fazer alguma refeição. É difícil ter que ouvir a todo instante que “você não está se ajudando”, “você não tem determinação”, “se você disser pra si mesmo que não quer se sentir assim, você não vai se sentir assim”. É difícil ouvir as pessoas dizerem que quem demonstra tendências suicidas só está querendo chamar a atenção, como se isso fosse um capricho. É lógico que a pessoa quer chamar a atenção, quer saber que é importante para alguém, saber quem se preocupa com ela. Não se deve menosprezar esse tipo de coisa. Infelizmente, vi pessoas que imploravam por atenção finalmente desistirem e cometerem suicídio. 

Compreendo que a maioria das pessoas que fazem essas coisas não fazem por mal. Mas se você quer mesmo ajudar alguém, deixe as generalizações de lado e procure se informar mais sobre o assunto. Encher a pessoa de conselhos vazios que jogam nela toda a culpa pelo problema não é um modo de ajudar. Pelo contrário, isso só piora as coisas, só faz com que a pessoa depressiva se sinta ainda mais incapaz e incompetente. Ninguém chegaria para uma pessoa com câncer e diria: “se você quiser, você fica bom. Vá andar, saia de casa, pratique um exercício, pense positivo e quando você menos esperar o problema terá desaparecido” ou “se você disser pra si mesmo que você não tem câncer, se você quiser mesmo, você não terá mais câncer”. Quando transferimos o discurso para o modo de lidar com o câncer percebemos o quanto ele é absurdo. A depressão e a ansiedade são doenças como qualquer outra e não vão desaparecer só com a força do pensamento. Então, se você quer mesmo ajudar, pare de julgar, pare de achar que é uma questão de força de vontade. 

“Ah, mas eu já tive depressão e foi assim que eu me curei”. Não, você não teve depressão. É importante diferenciar depressão de momentos delicados, de traumas e outras situações. Se você nunca foi depressivo e então passa por um grande trauma, a perda de ente querido, por exemplo, e passa algum tempo na bad, mas depois vai retomando sua vida e as coisas vão voltando ao normal, você não pode dizer que teve e se curou de uma depressão. Você passou por um trauma e superou ele. Isso é totalmente diferente. A depressão não precisa de motivos para aparecer. A ansiedade também não. 


Ansiedade 

Sobre a ansiedade especificamente, é importante não confundir sofrer de ansiedade com estar ansioso. Não conto as vezes que falei pra alguém que tinha ansiedade e a pessoa perguntou o porquê de eu estar ansiosa. Essa ansiedade é diferente daquela ansiedade de quando você tem algo importante para fazer, como quando está prestes a ir a um show de uma banda de que você gosta muito e fica pensando naquele assunto específico. A ansiedade que eu sinto me tira o sono, me deixa sem ar com medo de morrer a qualquer instante, ou de perder alguém que amo, me dá coceiras e tremores nas pernas, me deixa inquieta sem eu saber o motivo, me dá palpitações e aceleração no coração, não permite que eu me concentre em tarefas simples, como ler um livro, por exemplo, me faz ter medo do escuro, de dormir sozinha, pensar que vou morrer por qualquer sintoma de qualquer doença besta, sentir qualquer problema e ir direto no google pesquisar sobre um milhão de doenças e acreditar que tenho a mais grave de todas, ter uma preocupação excessiva em relação a tudo, ter comportamentos compulsivos, achar que nunca faço nada certo ou que sempre está faltando alguma coisa, ficar revivendo situações tristes ou embaraçosas. 


Como ajudar?

Então, em vez de ficar criticando as pessoas que sofrem com esses problemas ou sufocando-as com um milhão de soluções prontas, se quiser realmente ajudar, mostre que você se importa com ela, tente escutar quando ela estiver disposta a se abrir e também saiba respeitar seu silêncio. Tente entender os problemas que ela enfrenta e não desista dela se ela fracassar. O abandono é muito comum na vida de quem tem ansiedade e depressão.

Já testemunhei muitas vezes (e já passei por isso também) casos em que as pessoas que tentavam ajudar alguém com depressão desistem e vão embora. É o velho “você é complicado demais”, “você é uma pessoa destrutiva”, “você tem muita energia negativa”. Perder pessoas é sempre difícil, ainda mais quando elas simplesmente desistem de você. Entendo que não é fácil conviver com alguém tão instável, mas é sempre bom tentar compreender que a pessoa precisa de você e que não é culpa dela estar sempre se auto sabotando, ou sendo pessimista. A depressão é um desafio pra quem sofre com ela e pra quem convive com essas pessoas. 

Sei que devo ter esquecido de falar sobre um monte de coisas e que não vai ser esse texto que vai mudar a vida de alguém de uma hora pra outra, mas estou feliz por poder compartilhar essas coisas.  E digo sinceramente que compreender o que eu sinto foi a coisa que mais me ajudou em todos esses anos. 



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O solitário morrer na África


Os primeiros raios de sol mal haviam saído
Quando o clarão começou
O clarão das chamas
E o som dos lança-granadas!

O sol mal havia saído
Quando o terror começou.
Não houve luz naquela manhã,
Só o sangue manchando o chão.

Não houve sol naquele dia,
Não houve luz, nem alegria.
Só o som dos disparos,
E os inocentes desesperados,
Refugiados queimados vivos,
Sobreviventes isolados.

Não houve vida naquele dia,
Não houve amor, não houve sol.
Só gritos e explosões.
Só mortes e covardia.

Um adeus sem despedidas.
Após o massacre, o desconsolo.
E a missão aos que ficaram
De sobreviver sobre os corpos
E os destroços,
Do que um dia fora vida.

Quem chorará pela dor dessa gente?
Quem protestará por esses mortos?
Dois mil motivos para lágrimas,
E tudo que resta agora,
É este silêncio mórbido.

Onde estão os líderes mundiais?
O que fizeram depois de Paris?
Duas mil vozes caladas,
E um Ocidente Apático.
Onde estavam os homens da paz
Quando tudo começou?

“É solitário morrer na África” – Escreveu
Alguém, certa vez.
É solitário morrer nesse mundo,
Onde vidas são tratadas como nada,
É solitário morrer nessa realidade,
Onde a cor da pele e o capital
Determinam quanto vale uma vida, afinal.
É difícil morrer como um nada.
É solitário morrer na África.
É solitário morrer em Baga.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A mão à palmatória



Se sou feminista, sou maldita.
Se sou poetisa, sou medíocre.
E minha arte clandestina,
Propagada nas esquinas,
É um insulto imperdoável,
Uma pretensão sem limites,
Ferindo olhos e ouvidos
Dos que têm o ego inflamável.

Minha poesia (que poesia?)
É singela, capenga,
Somente versos mal rimados,
Parece mais uma arenga,
Não tem nada de admirável.

E sendo mulher, mais ainda,
Pois não passo de uma menina,
Querendo espaço entre os machos.
Sou feminista maldita,
E confesso aqui minha mediocridade.
Pois para mim, vagabunda,
Não há espaço na capital,
Nem entre os intelectuais dessa cidade.

Pois quero que saibam agora,
Que estendo a mão,
Não ao abraço, mas à palmatória,
E admito, muito contente,
Que prefiro os bares e a cachaça,
Que prefiro os cabarés e as praças,
À essa gente demente,
Que mesmo após doze anos
De escrita e de antipatia
Diz que é poeta,
Mas não sente o que é a poesia.

domingo, 13 de julho de 2014

Motivos para ter torcido pela seleção brasileira e ter amado a copa das copas


A copa do mundo do Brasil foi um sucesso, nossa presidenta está de parabéns por aguentar firme e forte mesmo diante da imbecilidade de alguns e da forte campanha de negatividade. A festa foi tão bonita que até eu me contagiei. 

Nunca torço pela seleção brasileira por acreditar que nosso país não se resume a uma seleção de futebol, e também por saber que no passado, quando a direita governava o Brasil, o futebol era tudo que o povo tinha, e os governantes aproveitavam para glorificar o esporte e fazer com que o povo se contentasse em ver os jogos (somente pela TV, pois só a elite tinha dinheiro para ir ver a copa em outro país) e torcer pela seleção, mesmo morrendo de fome, mesmo sem nenhuma educação, mesmo com a inflação, a dívida externa. O importante era que tinha bola na rede. Já o prato, era vazio. E quem mandava no campo era o desemprego e as desigualdades sociais. 

Diante disso, pessoas como eu, que percebiam essa jogada, se recusavam a fazer parte dessa demonstração de insulto ao povo brasileiro e a aceitar as migalhas de uma taça a cada 4 anos como prêmio de consolação por todas as mazelas que assolavam o país. 

Porém, os tempos são outros. Embora eu tenha demorado a me tocar disso, não há mais motivos para não torcer pela seleção brasileira, pois hoje ela pode ser vista apenas como mais uma representante do nosso país em um campeonato esportivo. O Brasil hoje tem uma educação melhor, a inflação diminuiu, o povo tem emprego, a dívida externa já não existe, o bolsa família tirou a maioria das pessoas da extrema pobreza, e o país tem dinheiro inclusive para sediar um mundial de futebol e se consagrar como idealizador da Copa das Copas. E o pobre que acompanhava o jogo pela TV hoje tem dinheiro para ir ver o jogo no estádio, tem dinheiro inclusive para viajar de avião, conhecer outro país e todas essas coisas típicas da elite brasileira dos anos 90. 

Hoje nosso time tem mais de 200 milhões de jogadores, e com a camisa 13, a melhor capitã de todos os tempos, nossa presidenta, Dilma. As vaias não assustam essa mulher forte e corajosa, pois se um pequeno grupo a vaia no estádio, o país irá aplaudi-la nas urnas. 

domingo, 18 de maio de 2014

Por uma questão de reconhecimento

Numa conversa de bar ontem falamos sobre como o Brasil avançou com o PT. Hoje em dia quase todo pobre tem seu carrinho ou sua moto, casa própria financiada, computador, acesso à internet... Na minha infância quem tinha computador era rico. E o que dizer do temido apagão?

Mas parece que muita gente esqueceu o tal racionamento de energia, a falta de investimentos na educação superior, o desemprego, os salários aviltantes que eram pagos aos trabalhadores.

O que me revolta é ver pobre falando mal do PT. Porque um rico assumir que queria que o país voltasse a ser um país que priorizasse as camadas mais elevadas da sociedade, eu compreendo (Não aceito, mas compreendo). Agora, um pobre, que só conseguiu as oportunidades para ser alguém na vida através dos investimentos do Governo Federal, falar mal do único partido que pensou nas minorias é mais que ingratidão, é burrice.

O povo parece que esqueceu todo o mal que a nossa população sofria. E que bom, isso mostra que as desigualdades estão cada dia mais sendo varridas de nossas vidas. Mas não podemos permitir que esses fantasmas voltem a nos assombrar, não podemos regredir. O Brasil hoje é e continuará sendo um país de todos.

Sou mais Partido dos Trabalhadores. Sou mais Lula. Sou mais Dilma Rousseff.


sábado, 17 de maio de 2014

Mais amor e mais respeito, por favor!

Para os que não sabem hoje é o Dia Internacional de Combate à Homofobia. Para os que não sabem também, nós não precisamos de cura, não precisamos de ajuda, não precisamos ler a bíblia. Tudo que nós precisamos é de respeito.

É inadmissível que nos dias de hoje ainda sejamos punidos simplesmente por vivermos o que somos.

Não é doença, não é desvio de comportamento ou de caráter, não é safadeza, não é escolha. É o que somos. E não tem nada de errado com isso.

O mundo precisa é de amor, não importa a cor ou o gênero. Abra sua mente e liberte-se das amarras do preconceito. A vida ficará bem mais leve para você e para todos os que te cercam.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

A solução para meus problemas


O relógio marcava 17h43 e minha angústia aumentava. Mesmo sabendo que seria liberada às 18h como de costume, eu estava ansiosa para ir embora. Era um daqueles dias em que eu só conseguia pensar que a solução para os meus problemas seria meter uma bala no meio dos meus olhos e decorar aquela parede branca com inúmeros pedacinhos dos meus miolos. Em dias assim (e esses dias eram frequentes) eu sentia vontade de fazer um monte de coisas, e as faria, se fosse realmente livre. Era nesses dias que eu tinha certeza do quanto a ideia de liberdade que nos vendem é ilusória.

Queria acender um cigarro só para ter a desculpa de dar umas voltas pela calçada e tentar sair um pouco daquele ambiente desagradável, mas não queria punir meus pulmões também, já bastava o mal que aquele ambiente causava à minha alma.

Não conto as vezes que me tranquei no banheiro para chorar. Eu tinha muitos motivos para achar que aquele quadro não mudaria tão cedo e ficava me imaginando ali, dia após dia, no Natal, no Ano Novo, Páscoa, dia dos pais... e esse ciclo se repetindo... Não tinha como não enlouquecer com isso.

Aquele ambiente roubava minha energia vital e meu maior desejo era poder falar algumas verdades para algumas pessoas que faziam parte daquela rotina. Era muita baboseira, muita futilidade, muitos egos duelando, muita gente querendo me atingir com essas merdas. Eu só conseguia sentir nojo da pequenez espiritual daquela gente.

Eles eram os religiosos, os politicamente corretos, os respeitados cidadãos de bem. Conseguiam reunir em um só pacote toda a hipocrisia social que existe no mundo, todas as coisas e atitudes ridículas de moralistas conservadores que eu sempre abominei.

Era uma gente que só pensava em status, visibilidade e dinheiro. Gente que tratava as outras pessoas (as mais pobres, ou as que pensavam diferente) como se fossem coisas, e algumas pessoas (as mais ricas, ou as mais influentes) como deuses, talvez em busca de algum benefício, afinal, amizade gratuita estava em extinção entre aquela gente. 

Eu realmente queria explodir meus miolos.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O mais ridículo dos animais


O homem é o mais ridículo dos animais e ainda assim se acha superior. Patético!

Procure, entre todos os animais, quais deles têm hora para acordar, obrigação de fazer coisas que só de pensar já dão um nó no estômago ou um monte de compromissos enfadonhos para ir todos os dias?

Vi minha vida passar enquanto eu rabiscava papéis em uma sala fria.

Sempre odiei o sistema, mas tive que aprender muito cedo que não havia como fugir dele. Que inferno! Era isso a vida humana? Uma prisão a céu aberto, onde cada um apenas cumpre uma série de obrigações?

O homem passa mais tempo se dedicando a obrigações desgastantes do que fazendo aquilo que realmente lhe faz bem.

Eu sempre gostei de literatura, poesia, música, cinema e artes em geral. Porém nunca tive o prazer de poder me dedicar a nenhuma dessas atividades com prioridade. As prioridades eram sempre as coisas mais irritantes, o trabalho, as pessoas que eu não queria ver, o dinheiro. E não falo isto como uma pessoa capitalista que se arrependeu da vida mesquinha que teve. Falo isso como ser humano preso a uma rede de obrigações enfadonhas. 

A regra é essa, independente de seus ideais, você tem que se ajustar ao sistema, ou sucumbir a uma vida de miséria.

E veja que contraditório, para fugir da miséria financeira, abraçamos a miséria espiritual.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Não espere o silêncio


Você verá que meu silêncio pode ferir ainda mais que qualquer coisa que eu disser ou qualquer besteira que eu faça. Enquanto eu ainda reclamar, enquanto eu ainda me importar talvez ainda haja esperança, mas depois que eu me calar, pode ter certeza que jamais será como antes. Com outras pessoas me calei outras vezes e pude ver que não sei voltar atrás. Não espere demais para corrigir seus erros. Não espere o meu silêncio pra perceber que faço falta, porque aí será tarde demais. 

domingo, 23 de março de 2014

O egoísmo da solidão


Às vezes me olho no espelho e me pergunto quando foi que envelheci desse tanto, quando me tornei tão seca e amarga. Como consegui chegar a isso. As pessoas veem em mim um monstro que eu não enxergo.

Aqui de dentro todas as minhas atitudes fazem sentido, e foi tudo por um bom motivo. 

A solidão me deixou mais egoísta. Mas eu tento não ligar para o que as pessoas pensam, e quero a cada dia me importar menos ainda. Em toda a minha vida, nos verdadeiros momentos de paz e felicidade, na maioria deles, eu estava sozinha.

sábado, 22 de março de 2014

Eu voltei... Agora pra ficar?


Sinto que deveria escrever com mais frequência, mas ultimamente tem sido muito difícil. Pode parecer desculpa (talvez seja mesmo), mas nos últimos meses minha falta de concentração tem ficado cada vez mais acentuada. Começo textos que não termino, penso em coisas que não escrevo. Só às vezes (raramente) consigo sentar e ter a determinação de me forçar a terminar alguma coisa... seja lá no que isso vá resultar.

E eu sei, eu sei que tenho capacidade de fazer melhor do que faço, mas simplesmente não me interesso. Desse modo, acabo deixando tudo inacabado, incompleto, insuficiente, imperfeito. Como se o mínimo bastasse. Talvez eu tenha mesmo me tornado uma pessoa conformista. Talvez por achar que ninguém vai se dar ao trabalho de ler ou se importar com as coisas que penso. 

De todo modo, apesar da falta de esperança, estou de volta. Não dá mais para ficar calada diante de tantas coisas que vejo e que me incomodam, me inquietam. Hoje parei para rever meus textos inacabados, para organizar minhas ideias e terminá-los. Espero que daqui pra frente eu possa me concentrar mais nisso, já que é uma coisa que gosto, que me faz bem. Em breve estarei postando novidades por aqui, se alguém se interessar, aguarde. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Peito de Narciso





O grande homem de pouco porte
Ensinou-me sobre a vida
E talvez sobre a morte
Sobre como a poesia nos revive
E como a utopia se fortalece
Quando outros loucos sonham junto contigo.
Ah, esse homem que um dia admirei
E até ousei chamar de amigo...

O grande homem das palavras bonitas,
Acreditava saber muito sobre a vida
E dizia não temer a morte.
Pobre homem sem sorte.

Um grande homem esnobe
Aos poucos foi se revelando,
Desfazendo sua imagem romântica,
Exibindo seu Narciso,
A todos desencantando.

E assim me ensinou sobre a morte,
Assassinando as ilusões que criei,
Aniquilando qualquer admiração
Que um dia alimentei.

O grande homem que se dizia forte
Não precisava de amigos,
Nem de amantes ou amores.
Em seu peito de Narciso
Só havia espaço para admiradores.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Prendam os vândalos




Eu vi paredes pintadas
E gente gritando de horror:
“É preciso encontrar os culpados!”.

Eu vi nos muros da cidade
O silêncio dos oprimidos
Pintado com tinta e raiva
E nas ruas o povo gritando:
“É preciso encontrar esses vândalos
Para que possam ser punidos!”.

Eu vi uma prefeita cassada
Para além da soma dos dedos
E vi um povo calado
Como se não se importasse
Ou tivesse medo.

Eu vi corrupção, lavagem de dinheiro,
Racismo e homofobia,
Machismo e muitos escândalos.
Mas ninguém se importa com isso,
O que importa mesmo é prender os vândalos.

Ora, que ousadia!
Querer ter voz nessa cidade,
Querer gritar através dos muros.
Prendam logo esses vândalos.
A justiça precisa ser feita.

Cassações, corrupção, mortes e fome,
Doenças e crimes
Não são tão urgentes assim.
Precisamos mesmo é nos manter seguros.
Por isso comecem a caçada,
Prendam todos esses loucos
Que andam por aí de madrugada,
Pintando paredes e muros. 

Malditas feministas



Malditas feministas!
Essas mulheres atrevidas
Que lutam por justiça,
Que desestruturam o sistema
E abalam os valores da família padrão.

Malditas feministas!
Seguindo em marcha, de mãos dadas,
Derrubando preconceitos e impérios.

Malditas feministas!
Mulheres independentes,
Mulheres que sabem o que querem
E que deixam sem argumentos até o mais feroz dos críticos,
Que na falta do que dizer diante da força dessas mulheres,
Exclamam palavrões: “Vadias! Malditas! Putas!”.

Malditas feministas!
Malditas mulheres de luta!
Que fazem cair por terra o discurso fundamentalista
Malditas mulheres guerreiras!
Não sabem se dar ao respeito,
Não são moças de família.

Malditas feministas!
Caminhando de mãos dadas,
Não recuam um só segundo
E assim, de mãos dadas,
Se atrevem a mudar o mundo!