quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Carta a um amigo-irmão

Hoje Eu só queria poder pegar o telefone, te ligar e ouvir sua voz outra vez...
A vida tem sido generosa comigo,
Tenho amor, trabalho, amigos.
Estou tocando meus projetos,
Sinto que estou envelhecendo.
As coisas aqui não são mais como antes.
Quero que saiba que sinto muito,
Lamento pelas coisas que não fizemos,
Lamento por você ter me deixado.

Hoje eu só queria poder ter aquela conversa que nós deixamos pra depois,
Tomar aquela cerveja que um dia tomaríamos,
Dividir os segredos que guardei com tanto zelo.
Hoje eu só queria poder ter você novamente.

A vida te levou de mim,
A vida te levou muito cedo.
Tenho minha vida, meus amigos,
Posso dizer que sou feliz,
Mas nada disso apaga o que você foi em mim,
As coisas que vivemos.
Queria você aqui hoje como antes, ou até mais intenso.

 Mesmo que você não esteja mais aqui, eu ainda te sinto como antes...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

E lá vem bosta...

Se você é daqueles que já se treme todo quando escuta a palavra 'janeiro' porque ela lhe trás lembranças de uma visita incômoda que aparece todos os anos por essa data, junte-se ao clube. Certamente você já deve saber do que eu estou falando.

Preparem seus saquinhos que lá vem mais uma edição do Big Brother Brasil.

Durante semanas e mais semanas o único assunto das rodinhas de amigos será este. "Quem comeu quem?" "Quem é o líder?" "Ah, não gosto dele, ele é malvado", "Meu Deus que mulher linda!", "ai, não acredito que esse gato é gay" "e olha lá, o lesado tá pegando a travesti!".
Tsc, tsc! E haja saco!

Mas tem gente já comemorando: os ladrões de banco e os sequestradores, por exemplo, passam o ano inteirinho esperando o BBB, época em que ninguém liga para besteiras como roubos e assassinatos. Porque o mundo pode estar caindo aos pedaços, mas todo mundo só que saber quem vai ser o novo milionário do País, que vai ficar rico as custas de milhões de bobos desocupados que perdem seu tempo ligando descontroladamente para votar no dia de eliminação.

Ironias a parte, o BBB é apenas um produto bem feito da indústria cultural, feito com o intuito de envolver o público numa realidade não real. E o que mais irrita é a forma passiva como as pessoas se comportam diante disso. Odiando e amando um grupo de idiotas que não conseguiu se dar bem na vida e encontrou nessa merda toda uma forma de se destacar e, quem sabe, com sorte, posar nu (nua) e esticar por mais uns meses essa fama instantânea e sem motivo.

Brasil ainda luta para combater intolerância contra homossexuais

O vídeo a seguir é uma matéria exibida no programa Fantástico da Rede Globo. O conteúdo me chamou a atenção por mostrar os homossexuais como gente, como família, desconstruindo um pouco dessa imagem de que os homossexuais são aberrações da natureza buscando espaço na sociedade 'normal'.
Muito boa a matéria, vale a pena conferir.
Se você for gay, lésbica, bissexual ou simpatizante, assista.
Se você repudia gays, lésbicas, bissexuais ou simpatizantes assista também e tente mudar um pouco dessa sua visão distorcida.
O mundo não tem mais espaço para este tipo de separação.
O que faz uma pessoa ser boa ou não é o seu caráter e não a sexualidade.


Escritor do mundo

Escrevo para ganhar a vida
Escrevo para passar meu tempo
Sou um contador de histórias
Vivo da dor, da desgraça e da imagem de outras pessoas.
Vivo dos problemas, das dificuldades e das emoções dos outros.
Exploro as situações, experiências, alegrias e tristezas alheias.
Traduzo tudo isso em meus textos
Palavras minhas que utilizo para falar dos outros
Sou um simples contador de histórias
Acompanho os fatos
Observador participante dos acontecimentos da vida
Eu sou um propagador de informações tenho o dever de ser fiel ao que me diz o bom senso
Falo dos outros, dos acontecimentos, das verdades e mentiras que o mundo me apresenta.
Escrevo para falar da vida
Escrevo para falar do tempo
E mesmo que indiretamente,
Deixo sempre impresso em cada texto que produzo
Um pouco da minha alma
Um pouco da minha história.
Deixo nas histórias que conto,
Que são um registro do mundo,
Uma impressão digital,
Uma representação do meu espaço.
Deixo nos texto que faço
Uma pequena parte de mim, um pedaço.



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Egocentrismo


Já não sou mais eu
Já não sou mais apenas eu
Pois não há mais somente o eu.

E embora o egocentrismo, às vezes, tente me dominar,
Embora ele tente me proteger
Não posso fugir dessa vontade
De me entregar por inteiro e a ti pertencer
Somente a ti por todo o sempre
Independente do quanto demore o sempre a passar.

Egocentrismo é eu te amar
Porque te vejo como parte de mim
Amar assim é como amar a mim mesma
Porque já não sou mais eu sem você

sábado, 18 de dezembro de 2010

Poesia & Boemia


Inspirações alcoólicas
O sentimento que alimenta a alma de um poeta é como a bebida que inebria a mente de um boêmio

É mais forte do que ele
É mais forte do que todos

Qualquer um que prove um bom drink há de querer mais
E da repetição vem a embriaguez
Ainda mais para os que não estão acostumados
Com o poeta também é assim,
Quanto mais ele prova da paixão, mais ele a deseja
Alcoólatra passional
Se embriaga com o perfume, com o corpo, o gosto, o beijo...

O vício do boêmio é a vaidade
O vício do poeta é o desejo
 A vida do boêmio é uma eterna poesia
A vida do poeta é paixão e Boemia.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Por inteiro

Se me queres por inteiro me terás aos pedaços
Arrancados um a um pela dor que a tua ausência me causou
A pele, o corpo, os sentidos, meus abraços,
Arrumei-os numa caixa e lacrei a embalagem.
Meu sorriso, minhas palavras, meus olhos amedrontados,
Arranquei-os um por um com imenso sacrifício,
Principalmente as palavras, essas teimosas, insistiam em entalar na garganta;
Cortei então a sangria,
Entre o vermelho e as lágrimas, as palavras me escaparam: raiva, tristeza, desgosto e mágoa,
Essas foram mais previsíveis ;
Solidão, vazio, angústia e ansiedade vieram como consequências ;
“Eu te amo”, foi a surpresa!
Saiu de minha garganta, misturou-se com meu sangue, estava ai dentro de mim, e eu nem sequer percebi.
Se me queres mesmo por inteiro guarde também as palavras
Separei-as pelas cores, em diversas tonalidades, das mais claras às mais sombrias,
Fique também com as ofensas, são pedaços também de mim,
Se não as quiser, não as use, mas não as dê fim.
Surrealmente falando, imerso ao sangue que se esvaia da garganta, arrumei uma garrafa e depositei toda a minha respiração,
Antes que o ar se esvaísse e para ti nada restasse.
Não, é verdade, tu nada me cobraste!
Mas aceite a oferenda
Separei um pacote exótico,
Com fígado, pulmão, a medula e os rins,
O sangue tentei guardar,
Mas foi impossível reter ,
Fugia com meu transpirar
Junto com as lágrimas a descer.
Arrumei em outro deposito aquilo que não hei de usar:
Os pés que não mais caminharão para ti,
Os braços que não irão mais te abraçar,
Junto com o sexo e todo o resto.
Sobrou-me apenas o coração
Sangrando, pulsando, implorando-te
Este eu quis enterrar,
Mas inteiro é inteiro
E nada pode faltar.
Te dou também essa parte,
Me doei sim por inteiro
Esse sou eu de verdade,
Em sentimento, ternura e desespero,
Em carne, osso e excesso,
Em alma, amor e exagero.