domingo, 24 de março de 2013

Vestígios



Talvez, em tua boca,
Haja ainda, adormecida,
Qualquer tipo de melancolia,
Breves Saudades,
Ou uma pequena nostalgia.

Talvez teu corpo ainda guarde
Um vestígio qualquer meu,
Que nem teu ego quis lembrar
E a tua mente esqueceu.

sábado, 23 de março de 2013

Sonoridades afiadas


Tudo abaixo!
Sonhos que se vão ao som de poucas palavras
Sonoridades afiadas
Capazes de ferir uma alma.
Uma ferida exposta, sangrando
Eis o peso da diferença.




Texto-solidão



Uma cerveja na mesa
Uma caneta na mão
Mais um poema de bar
Mais um texto-solidão.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Questionário



Minha alma é uma folha em branco
Um questionário invisível
De indagações incognoscíveis
Eternamente esperando por respostas.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Aos verdadeiros amigos



Eu gosto de beber,
Gosto de rir,
De chorar,
Discutir,
Brigar, brindar, amar,
De chegar ao extremo e perder o controle...

E gosto mais ainda das pessoas que conhecem esse “eu” que nem a mim mesmo se revela,
As pessoas que têm esse contato com o pior de mim e ainda assim escolhem estar ao meu lado.

Porque das suas qualidades, todos sempre vão gostar,
Os amigos de verdade são aqueles capazes de compreender e suportar seus defeitos! 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Todo Adeus é assim

Os olhos marejando e cansados
Observam uma vez mais a imensidão
Deixada pra trás.
Um abraço forte e o pé na estrada.
Vontade de ficar (coração aflito)
Desejo de partir (coração na mão)
A quem vai e a quem fica a dor é semelhante,
Pois agora está distante        
Aquela presença constante
A distância divide as vidas
Levadas a rumos opostos.
Todo adeus é assim:
Uma morte temporária,
Uma dor que só maltrata;
É sentir dentro de si
A falta que o outro deixou;
É olhar adiante
E sentir falta do que ficou.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Somos inúteis, Bukowski tinha razão! (Um texto à moda antiga)




Meu computador deu pau e não está me permitindo utilizar o Word. E eu, por pra preguiça, nunca mais escrevi nada. Ideias eu até tenho, mas quando penso em ter que escrever tudo à mão, nas frases que irei riscar e rabiscar, na lentidão das linhas escrita, no cansaço provocado pela caneta... Acabo por desistir.
Olho com desprezo o maldito computador que me trai, que me abandona quando mais preciso, quando sou tomada pelas ideias e preciso a toda custa expressá-las/ expulsá-las de mim. A inspiração vem nas horas mais impróprias. E parece que o fato de o computador estar com defeito faz com que ela, a inspiração, só por maldade, me visite com mais frequência.
De repente, o texto inteiro surge em minha cabeça, mas não posso escrevê-lo, e fico me culpando, pois cada texto que eu penso e esqueço, cada inspiração que eu perco, cada texto que penso em escrever e não escrevo, é como um filho que não veio ao mundo, uma espécie de aborto.
Não vou debater a questão do aborto, ou sequer opinar a respeito, mas creio que independente do motivo, toda mulher que aborta (por vontade própria ou não) deve imaginar, ao menos uma vez, como teria sido aquele filho, que rosto teria, como seria seu jeito de caminhar... É assim que me sinto também com os meus textos, os textos que não pude procriar, que por desleixo ou preguiça, acabei por abortar.
É por isso que mesmo sem gostar, voltei a escrever em meus caderninhos como antigamente. E não, não tenho nada contra isso, o único problema é minha preguiça. Até acho divertido o contato da caneta com o papel e minha caligrafia vergonhosa estampada sobre ele. Entretanto, tenho o péssimo hábito de não transcrever para o computador os textos que escrevo dessa forma, e assim sendo, eles acabam se perdendo.
Hoje em dia somos todos muito dependentes da tecnologia: computador, celular, Iphone, Ipod, Ipad, ai meu saco! O ser humano viveu milhares de anos sem essa parafernália e agora, vejam só: somos escravos delas.
Bukowski estava certo ao dizer que no futuro (não muito distante) os humanos andarão arrastando suas bundas pelo chão. Sim, porque a tecnologia nos deixa cada vez mais preguiçosos. Logo será inventada uma máquina que se locomova por nós, para que assim, possamos fazer tudo sem precisar levantar nossas bundas sedentárias de nossas cadeiras.
Gastamos tanto com academia! Ora, que ironia! O ser humano tem o mundo inteiro para percorrer e mesmo assim paga para caminhar em cima de uma esteira. Nada faz sentido! Somos cada dia mais inúteis.
Foi por isso que hoje decidi tentar combater meu comodismo e voltar a escrever à moda antiga, sem corretores ortográficos, que fazem todo o trabalho duro quando se está produzindo um texto. E descubro que ainda gosto disso.  A sensação de escrever é única. O ato de escrever se torna mais humano quando seu texto é escrito com sua letra.
Fico feliz por ter chegado até aqui sem a ajuda do computador, mas confesso que não vejo a hora de formatá-lo para não precisar ficar repetindo esse processo sempre que a inspiração me procurar.  Pois quando se refere à produção textual devo me posicionar sempre contra o aborto das ideias.  E pra falar a verdade, se você que chegou até aqui, somente com a leitura, já está cansado, imagine como estão meus dedos!
O fato é que, mesmo depois de todo esse discurso, não vejo a hora de poder ter a comodidade do computador de volta. Também sou imprestável, também já paguei para caminhar numa esteira, e adoraria poder fazer tudo sem precisar levantar da minha cama. Também sou humana, não posso fugir a essa regra de ser também acomodada e quase inútil.