segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O solitário morrer na África


Os primeiros raios de sol mal haviam saído
Quando o clarão começou
O clarão das chamas
E o som dos lança-granadas!

O sol mal havia saído
Quando o terror começou.
Não houve luz naquela manhã,
Só o sangue manchando o chão.

Não houve sol naquele dia,
Não houve luz, nem alegria.
Só o som dos disparos,
E os inocentes desesperados,
Refugiados queimados vivos,
Sobreviventes isolados.

Não houve vida naquele dia,
Não houve amor, não houve sol.
Só gritos e explosões.
Só mortes e covardia.

Um adeus sem despedidas.
Após o massacre, o desconsolo.
E a missão aos que ficaram
De sobreviver sobre os corpos
E os destroços,
Do que um dia fora vida.

Quem chorará pela dor dessa gente?
Quem protestará por esses mortos?
Dois mil motivos para lágrimas,
E tudo que resta agora,
É este silêncio mórbido.

Onde estão os líderes mundiais?
O que fizeram depois de Paris?
Duas mil vozes caladas,
E um Ocidente Apático.
Onde estavam os homens da paz
Quando tudo começou?

“É solitário morrer na África” – Escreveu
Alguém, certa vez.
É solitário morrer nesse mundo,
Onde vidas são tratadas como nada,
É solitário morrer nessa realidade,
Onde a cor da pele e o capital
Determinam quanto vale uma vida, afinal.
É difícil morrer como um nada.
É solitário morrer na África.
É solitário morrer em Baga.

sábado, 11 de outubro de 2014

Por que a mídia brasileira persegue tanto o PT?


Por que será que as acusações sem provas contra o PT viram destaque no jornal nacional e o fato de Aécio Neves responder a processos por desvio de Bilhões de reais do dinheiro público em Minas Gerais não merece nenhuma notinha?

No curso de jornalismo aprendemos que não podemos, enquanto profissionais, divulgar acusações falaciosas, e quando a acusação é feita pelo nosso informante, devemos, ainda enquanto profissionais, ressaltar que aquelas informações não foram comprovadas. Entretanto, o que vemos na mídia brasileira é que ela mesma é quem reforça essas acusações sem provas, e dá total destaque para elas na tentativa de iludir o eleitor que desconhece suas verdadeiras intenções.

Então, precisamos alertar o povo brasileiro e mandar um recado para os donos da mídia: Não somos ignorantes!

A imprensa brasileira é controlada por apenas 5 famílias, todas essas com grandes interesses econômicos que vão contra o modelo de país que o PT criou, focado na redução das desigualdades, focado na educação. Com o maior índice de escolaridade, a população brasileira deixou de ser telespectadora da Rede Globo, da Record, do SBT e da Band, e passou a ser participante de aulas nas universidades; deixou de ler a Veja, para ler livros acadêmicos.

É esse o medo da Mídia brasileira: que o povo comece a pensar com sua própria cabeça.

Por isso, agora, eles tentam mais uma vez dar o golpe nas eleições. Ou alguém acredita que essa história mal contada de envolvimento do PT com o escândalo da Petrobras surgiu por acaso? Não surgiu.

A mídia brasileira hoje representa um partido em nosso país, o partido da imprensa golpista (PIG). O PIG preparou essa jogada para que ela fosse lançada agora para tentar sujar a campanha do PT, para dizer que o PT é corrupto. Mas esconde que o PSDB de Aécio Neves e FHC é, COMPROVADAMENTE, segundo o TSE, o partido mais corrupto do Brasil. O PIG preparou essa jogada também para tentar abafar os escândalos de Aécio Neves, com lavagem de dinheiro em Minas, Aeroporto que ele construiu com dinheiro público nas terras da família dele, envolvimento com tráfico de cocaína, a relação do candidato com o helicóptero com 445kg de cocaína encontrado em Minas, o fato de ele ter agredido fisicamente a namorada, ter sido preso por dirigir embriagado e com habilitação vencida. E essas não são acusações ao partido, são acusações diretas ao candidato, a maioria abafada pela mídia.

Falam do PT, que o PT isso, o PT aquilo, mas falam sem provas. E mais, mesmo nas acusações, o máximo que eles conseguem fazer, é acusar vagamente o partido, mas Dilma permanece intacta. Não há um caso sequer em que o nome da presidenta seja citado. Dilma tem uma conduta impecável e só foi presa uma vez, quando tinha 19 anos e estava lutando contra os opressores na ditadura militar, lutando pela democracia deste país.

Mas isso a Globo não mostra, claro que não mostra. Os governos do PT reconfiguraram a história do povo brasileiro, deixamos de ser uma nação miserável e passamos a ser um país de classe média. É lógico que isso não agradou os opressores. Está mais que evidente que estas eleições são uma luta de classes, onde estão em jogo os direitos da classe operária/estudantil/universitária contra os interesses dos grandes empresários e coronéis da política. E nessa batalha, de que lado você acha que a mídia está?

#CoraçãoValente
#Dilma13MaisFuturo
#AébrioNever
#GloboMente
#MidiaGolpista
#DemocratizaçãoDaMídiaJá

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A mão à palmatória



Se sou feminista, sou maldita.
Se sou poetisa, sou medíocre.
E minha arte clandestina,
Propagada nas esquinas,
É um insulto imperdoável,
Uma pretensão sem limites,
Ferindo olhos e ouvidos
Dos que têm o ego inflamável.

Minha poesia (que poesia?)
É singela, capenga,
Somente versos mal rimados,
Parece mais uma arenga,
Não tem nada de admirável.

E sendo mulher, mais ainda,
Pois não passo de uma menina,
Querendo espaço entre os machos.
Sou feminista maldita,
E confesso aqui minha mediocridade.
Pois para mim, vagabunda,
Não há espaço na capital,
Nem entre os intelectuais dessa cidade.

Pois quero que saibam agora,
Que estendo a mão,
Não ao abraço, mas à palmatória,
E admito, muito contente,
Que prefiro os bares e a cachaça,
Que prefiro os cabarés e as praças,
À essa gente demente,
Que mesmo após doze anos
De escrita e de antipatia
Diz que é poeta,
Mas não sente o que é a poesia.

domingo, 13 de julho de 2014

Motivos para ter torcido pela seleção brasileira e ter amado a copa das copas


A copa do mundo do Brasil foi um sucesso, nossa presidenta está de parabéns por aguentar firme e forte mesmo diante da imbecilidade de alguns e da forte campanha de negatividade. A festa foi tão bonita que até eu me contagiei. 

Nunca torço pela seleção brasileira por acreditar que nosso país não se resume a uma seleção de futebol, e também por saber que no passado, quando a direita governava o Brasil, o futebol era tudo que o povo tinha, e os governantes aproveitavam para glorificar o esporte e fazer com que o povo se contentasse em ver os jogos (somente pela TV, pois só a elite tinha dinheiro para ir ver a copa em outro país) e torcer pela seleção, mesmo morrendo de fome, mesmo sem nenhuma educação, mesmo com a inflação, a dívida externa. O importante era que tinha bola na rede. Já o prato, era vazio. E quem mandava no campo era o desemprego e as desigualdades sociais. 

Diante disso, pessoas como eu, que percebiam essa jogada, se recusavam a fazer parte dessa demonstração de insulto ao povo brasileiro e a aceitar as migalhas de uma taça a cada 4 anos como prêmio de consolação por todas as mazelas que assolavam o país. 

Porém, os tempos são outros. Embora eu tenha demorado a me tocar disso, não há mais motivos para não torcer pela seleção brasileira, pois hoje ela pode ser vista apenas como mais uma representante do nosso país em um campeonato esportivo. O Brasil hoje tem uma educação melhor, a inflação diminuiu, o povo tem emprego, a dívida externa já não existe, o bolsa família tirou a maioria das pessoas da extrema pobreza, e o país tem dinheiro inclusive para sediar um mundial de futebol e se consagrar como idealizador da Copa das Copas. E o pobre que acompanhava o jogo pela TV hoje tem dinheiro para ir ver o jogo no estádio, tem dinheiro inclusive para viajar de avião, conhecer outro país e todas essas coisas típicas da elite brasileira dos anos 90. 

Hoje nosso time tem mais de 200 milhões de jogadores, e com a camisa 13, a melhor capitã de todos os tempos, nossa presidenta, Dilma. As vaias não assustam essa mulher forte e corajosa, pois se um pequeno grupo a vaia no estádio, o país irá aplaudi-la nas urnas. 

terça-feira, 3 de junho de 2014

Bárbara



Os longos cabelos
E os olhos cansados
Adornam o rosto
Pelo tempo castigado.

Já não lhe restam vaidades,
Já nem se olha no espelho.
A realidade é seu pior pesadelo.

Bárbara já não sentia
Qualquer gozo ou alegria,
Para o lar ela vivia, e quando o marido saía,
Costumava se perder
Em um mundo de fantasia,
Onde ela era a rainha
E não conhecia o sofrer.

Mas quando ele voltava
Seu sonho desmoronava:
Tinha coisas a fazer.
E quando ele demorava
Ela se angustiava:
- Se aquele maldito me deixa,
Como é que eu vou viver?

Apesar da vida de casada
À qual estava acostumada,
Sentia-se sempre sozinha.
Antes do almoço
Chorava escondida na cozinha
Lembrando-se do amor
Que um dia achou que tinha.

Lamentava a sua sorte,
Mas já não se importava mais.
Abraçou a desgraça, fingia que era forte.
Corpo e alma refletiam sua dor.
Seus 20 anos foram massacrados
E seu corpo era o resultado
Das ações de uma vida despedaçada e
das mãos de um tempo usurpador.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Palavras ao homem sábio


Você com esse falatório
Pensando que sabe de tudo,
Se lamentando pelos cantos,
Fazendo papel de vítima,
Falando sobre os ingratos,
Querendo ser o mais sábio,
Vem criticar meu modo de vida.

Pois quero agora que saiba
Que me cansei de tudo isto
Saiba que pra mim, basta.
Saiba que estou farta
De suas lamentações sem sentido.

Você faz uso da retórica
Pra perturbar meus ouvidos.
Pois guarde seu discurso bonito
Que pra falar aqui é preciso fazer sentido,
É preciso correr perigo.
Guarde sua lisonja,
Guarde sua retórica,
Que eu “tô” falando é de parresía,
Parresía, meu amigo!



domingo, 25 de maio de 2014

Poema da ingratidão


Os sábios procuram à noite
Pelas vielas da cidade
Um grupo de vândalos e poetas loucos
Pelo crime de falarem o que pensam,
Por se negarem a pensar como os outros.

Partiram na estrada,
Sem eira nem beira,
Pela contramão,
Os poetas vagabundos,
Sonhando em mudar o mundo,
Querendo fazer revolução.

Partiram no submundo,
De pés descalços,
Em busca do horizonte,
Negando as vestes,
E as doutrinas
Dos homens sábios.

Partiram sem remorsos
Aqueles poetas ingratos,
Poetas sem nome,
Um bando de insensatos.

Apenas poetas utópicos,
Sem lei, sem autoridade.
Ébrios, de sonhos tórridos.
Poetas jamais sóbrios,
Pela sede de mudança embriagados.

Partiram deixando pra trás
A senzala e o capataz
Da escravidão da vida comum.
Partiram pelas ruas,
Cantando nos becos,
Pintando os muros.

Poetas sem rosto, e sem renome
Poetas das ruas e da cachaça,
Luiz, Rayane, Simone.

Poetas da boemia,
Alexandre, Latoya, Bia.
Poetas do mundo dos sonhos,
Poetas de muitas lutas,
Jean, André, Lucas.

Poetas da utopia,
Neto, Bob, Jedaías.
Poetas do amor e da indignação,
Poetas que sabem o que querem,
Paula, Camila, Cibele.

Seguiram de madrugada,
Fizeram uma caminhada,
Sentaram numa calçada,
Pintaram poesias na esquina.
E os sábios balbuciavam
Contra aquelas poesias de quinta.

Os sábios perseguem os loucos!

Os sábios não querem amigos,
Os sábios temem os loucos,
Os sábios só sabem da lisonja
E só acreditam na própria honra.

Os loucos estão pelos bares,
Os loucos caminham lado a lado,
Os loucos incomodam os sábios,
Pois a ingratidão se exala por seus lábios.

Que comece a caça aos ingratos,
Devem estar pelos guetos,
Com um poema na mão
Tomando vinho barato,
Falando de amor pelos becos.

Os sábios procuram à noite
Pelas vielas da cidade
Um grupo de vândalos e loucos,
Um bando de poetas ingratos,
Que fazem barulho, que andam pela periferia,
Que não sabem fazer reverência
Que se negam a pedir a “bença”,
Pois acreditam que imortal mesmo, só a poesia.